Conheça os sinais de desidratação e os malefícios que ela pode causar ao corpo

Atualizado: Nov 17

A ingestão da quantidade correta de água é fundamental para o bom funcionamento do organismo. Nosso corpo não tem reserva de água, por isso precisamos bebê-la constantemente para garantir que os órgãos cumpram suas funções.


Nós perdemos água pela urina, respiração e suor, então quando a ingerimos estamos só compensando o que é utilizado pelo organismo. É muito importante compreender quais são os sinais de desidratação – que vão desde mudanças na pele e cabelos até problemas no coração – para resolver o problema o quanto antes.


Aprenda a identificar sinais de desidratação


O médico Paulo Roberto da Silva respondeu algumas dúvidas sobre desidratação e qual o impacto dela para a saúde. Confira a entrevista a seguir.


O que é a desidratação?


Dr. Paulo: A desidratação é uma condição na qual você consegue perceber alguns sinais de mau funcionamento dos órgãos devido à falta de água.


Mas ela tem níveis: numa desidratação leve, haverá características como olhos secos, mucosas pouco úmidas e diminuição do turgor da pele, que é a capacidade da pele de voltar ao normal depois de ser comprimida e liberada. Esses sinais de desidratação vão aumentando conforme aumenta o grau do problema, que pode até levar à falência dos órgãos pela falta de água.


Quais as funções da água no corpo?  


Dr. Paulo: A água corresponde a aproximadamente 60% do corpo humano, variando conforme a idade – recém-nascidos têm mais água no corpo do que idosos, por exemplo. A água é vital para os processos químicos do corpo humano, os quais só acontecem na água.

Ela é constituinte de todos os órgãos, mas especialmente necessária no sangue, representando a maior parte de sua formação, no cérebro, que é formado e envolto por uma camada de água, e principalmente para os rins, para filtração e eliminação de toxinas do corpo.


Onde ela pode ser encontrada?


Dr. Paulo: Além de estar presente no sangue, a água pode ser encontrada no sistema nervoso central, tanto entre as células quanto no líquor, que é um líquido que envolve todo o sistema, cérebro e medula, com função de proteção mecânica a impactos, e na sinóvia, em forma de líquido sinovial, que fica em várias articulações para que ossos não se encontrem e sejam protegidos de choques.


A água envolve ainda alguns órgãos, numa lâmina pequena, como os pulmões e as vísceras, e é encontrada na pele. Faz parte também de outras secreções do corpo, como o esperma, a saliva e todos os líquidos responsáveis pela digestão no trato gastrointestinal, como o suco pancreático e o suco gástrico.


Por fim, constitui a lágrima, que mantém a córnea hidratada e alimentada – uma vez que é a lágrima que leva o açúcar até ela – e o suor, que tem sua função no equilíbrio térmico do corpo.


Quais problemas a falta de água traz ao corpo?


Dr. Paulo: Antes mesmo de ter sinais de desidratação, você pode perceber que a falta de água pode deixar a pele e os cabelos mais secos. Alguns estudos mais recentes mostram que uma ingestão baixa de água tem relação também com mudanças no humor e na atenção e aumento da sonolência e da fadiga.


O que leva à desidratação?


Dr. Paulo: Naturalmente temos sede, então a necessidade de água vai sendo sinalizada pelo corpo para que a gente compense. Sendo assim, a desidratação não é algo natural, mas algo patológico.


Ela pode ocorrer quando há baixa ingestão de água – por exemplo, se você estiver há muito tempo num lugar que não tenha água, ou no caso de crianças pequenas, idosos e deficientes, que podem não conseguir pedir água e seus cuidadores a oferecem com pouca frequência – e na presença de alguma doença que faça com que a pessoa elimine mais água, como as que causam vômitos excessivos e diarreia. Lesões na pele e feridas também fazem com que ocorra perda de líquidos.


E quais os problemas ocasionados pela desidratação?


Dr. Paulo: Inicialmente, ocorrerá uma diminuição dos líquidos compostos por água que não se encontram no sangue, como: das lágrimas, que levarão a olhos mais secos; da saliva, que deixará as mucosas mais secas; do líquido subcutâneo, diminuindo o turgor da pele. Níveis mais avançados de desidratação vão levar à falência de órgãos como:


  • Rins: chamamos de insuficiência pré-renal quando o rim não consegue mais fazer sua função de eliminar as toxinas do corpo porque não tem sangue suficiente passando por ele. Assim, essas toxinas vão se acumulando no sangue.

  • Fígado: é o responsável pela metabolização de toxinas, para que elas fiquem menos tóxicas. Como isso também depende da água, na carência dela haverá diminuição da capacidade do fígado de reduzir o número de substâncias tóxicas dentro do corpo.

  • Coração: nós precisamos de uma pressão suficiente de sangue para que o coração funcione da melhor maneira. Uma redução do volume sanguíneo levará ao batimento menos eficiente do coração, que terá que fazer um esforço maior para eliminar aquela quantidade de líquido.

  • Cérebro: no cérebro, que é um órgãos mais importantes do nosso corpo, poderá ocorrer uma diminuição do líquido interno, que irá escapar para o sangue. Dependendo da velocidade em que isso acontecer, poderá levar a quadros de convulsão e desmaios. A redução mesmo que gradual de líquido no cérebro irá resultar na diminuição de todas as funções cerebrais, como a manutenção da consciência.

  • Sistema imunológico: haverá redução das reações químicas, fazendo com que a capacidade do sistema imunológico de defender o corpo seja menor.


Quais os sinais de desidratação?


Dr. Paulo: Existem alguns sintomas como olho fundo, falta de lágrimas e de saliva, taquicardia, irritabilidade, falta de energia e de força, confusão mental e muita sede. Níveis mais graves de desidratação podem levar à morte.


Como reverter esses quadros?


Dr. Paulo: Em primeiro lugar, um médico deverá ser consultado para verificar qual o grau de desidratação e quais serão as melhores medidas.


O tratamento dependerá do nível de desidratação. Em casos leves, só beber mais água é o suficiente. Já se houver alguma doença, é necessário fazer o tratamento específico para curá-la, quando existir.


Em graus mais elevados, poderá ser preciso utilizar sais de reposição oral – que são formulações com maiores quantidades de açúcar – e sais que aumentarão a absorção de água no intestino, juntamente com o aumento da ingestão de água livre. Também poderá ser necessário utilizar soro intravenoso.

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